Meus eus
Olá a todas, todes, todos! Eu sou Everton Pereira Santos (profissionalmente, academicamente) e Everton Pessan (ainda profissionalmente, assim como artisticamente). Podem me chamar como quiser. Um nome é um nome e é a pessoa que reconhecemos, no fim das contas. Sou Mestre em Letras pela Universidade Federal de Sergipe e graduado em Letras Português-Inglês pela mesma universidade. Atualmente, na data dessa postagem, sou doutorando em Educação na Universidade Federal de Sergipe, pelo PPGED/UFS, na linha de Tecnologias, Linguagens e Educação. Dentro dessa linha de pesquisa, faço parte do Grupo TECLA (Grupo de Pesquisa Tecnologias, Educação e Linguística Aplicada) liderada pelo Prof. Dr. Paulo Boa Sorte. Meu objeto principal de pesquisa são chatbots, suas funcionalidades, aplicações na educação, e o tensionamento entre a automação dos processos pedagógicos e a autoria docente. Quero investigar até que ponto os professores, depois de se apropriarem dessa tecnologia, utilizam os planos de aula gerados por essa ferramenta e em que ponto intervêm: porque, quando, se… e em que ponto eles ainda acham que a autoria docente é necessária. Jogo tudo numa análise e vejo que resultados emergem desse tensionamento. Esse sou meu eu acadêmico.
Sou músico desde criança (violino, flauta doce e piano) e decidi desde cedo a não seguir a carreira musical. A carreira musical, no entanto, me seguiu e até hoje toco em bandas de rock-pop na cidade onde moro: Aracaju, Sergipe. Um pouco mais recentemente, reduzi minha carga de shows (fazia até 2 shows por semana) para perder menos noites e me dedicar um pouco mais à pesquisa. Sou gamer desde criança também (os bons hábitos permanecem) e dedico algumas horinhas da semana a jogar alguns joguinhos indies no PC, ou as novidades no PS5, com preferência por RPGs e Action Games. Sou jiu-jiteiro desde 2018. Atualmente um faixa-marrom com 4 graus (prestes a conquistar a faixa preta, no ritmo que meu mestre assim determinar). Descobri esse esporte já velho, com 28 anos de idade. Pela descrição acima, dá pra perceber que eu nunca fui uma criança assim tão cinestésica, embora tenha feito capoeira boa parte da adolescência. O jiu-jitsu preencheu essa lacuna e desde então nunca larguei. Não sou o melhor, mas não passo vergonha. É um momento do dia que eu não penso em trabalho, pesquisa, boletos ou nos problemas da geopolítica. Ainda de hobbies, adoro mangás (tenho coleções, embora mudei minha semiose para o online, em fóruns semanais) e uma ou outra série de TV. Além disso, faço tirinhas por diversão, embora já tenha sido objeto de pesquisa. Isso é papo para outra postagem. Moro com meu cachorrinho que se chama Fúria da Noite Clóvis Pessan e é quem me faz companhia enquanto escrevo essa postagem. Esse sou meu eu pessoal.
Sou professor de carreira do Estado de Sergipe, concursado desde 2016, para o cargo de Professor de Língua Inglesa. Antes disso, fui professor da FISK durante muito tempo, já tive contrato no próprio estado, além de ter sido tutor da graduação a distância na UFS. Em 2016 fui convocado para essa vaga efetiva no estado e dei aulas em várias escolas da cidade de Aracaju. Em 2019 recebi um convite para ser formador de professores num programa que visava reduzir a distorção idade-série em Sergipe com o Programa Sergipe na Idade Certa (Santos, 2023). Essa experiência me fez revisitar a escola sobre um prisma novo: o das políticas públicas, que servem como uma das engrenagens que move a Educação. Dessa experiência, para além das formações, fizemos muitos materiais didáticos para os alunos, além de algumas publicações (Santos, 2021; Santos, 2023). Findei coordenador do programa entre 2021 e 2024. Passado esse desafio, fui coordenar a alfabetização de adultos em Sergipe com o Programa Alfabetiza Sergipe, regulamentado pela Lei 9622/SE (Sergipe, 2025). Entrementes à coordenação do programa, continuo sendo convidado a participar de algumas ações da Secretaria de Educação para ajudar a pensar pedagogicamente políticas públicas importantes, a exemplo da Comissão do Programa Sergipe no Mundo (programa de intercâmbio para alunos da rede); Educkathon (nossa maratona de programação); Comissão de Planejamento de Soluções Tecnológicas; além de demais coisas que envolvem, principalmente, tecnologia. Muito recentemente, escrevi, em parceria com o Grupo Tecla, um guia que chamamos de Educar com Inteligência Artificial (Santos et al. 2025) para guiar, inicialmente, a rede estadual de educação sobre questões importantes do uso da IA na educação: questões como vieses algorítmicos, uso genérico, conceituação de termos essenciais, além das práticas pedagógicas. Em um outro post específico eu falarei sobre esse material que já está disponível. Esse sou meu eu profissional.
Mas por que um blog?
Gosto de escrever. Se não gostasse, acho que não teria cursado letras. Não fiz o curso na intenção de virar um escritor nem nada, mas sempre gostei muito de ler, e escrever é uma habilidade que sempre desenvolvi bem na escola, com vários 10 em redações (antes do formato Enem, graças a Deus!). Já fiz tirinha pra jornal durante anos, já fiz poema em blogs outros, já publiquei crônica (Pessan, 2019), artigos, dissertação, enfim. Escrever é a atividade do cientista das humanidades. E escrever não é fácil, mesmo pra quem desenvolve essa habilidade desde cedo. Quem escreve pode até escrever pra si, mas na perspectiva do dialogismo (Bakhtin, 2016), todo enunciado responde a enunciados anteriores. A gente escreve esperando uma reação, mesmo que de si próprio. E é claro que eu tenho o que escrever: artigos sobre os temas que pesquiso e trabalho, que se transconectam, propositadamente ou não, e minha própria tese. Mas eu tenho muito a dizer e não gostaria de dizer tudo com muito rigor acadêmico o tempo todo. Alguns desses dias, para minha imensa tristeza, alguém me sugeriu que eu fizesse vídeos falando de minha pesquisa. Não é uma semiose que eu goste para esse fim. Entristece-me muito a autoinvisibilidade que algumas pessoas acham que estão sujeitas se não engajarem numa rede social. Eu quis fugir desse lugar de barulho, estender minha rede própria, estirar minhas pernas e escrever com pouquíssimo rigor. Não de qualquer maneira, porque Bakhtin (2016) nos ensinou que enunciamos com propósitos. Então esse lugar aqui é um pequeno laboratório textual pra que eu fale de coisas que, embora importantes academicamente, podem ser faladas de maneiras outras. A ciência precisa de rigor, mas precisa também de leveza e de lugares mais neutros. Dentro de revistas e livros ela está a serviço de cientistas e muito pouco a serviço das demais comunidades. Dentro do Instagram ou do TikTok, ela se mistura ao barulho da rolagem infinita de informações úteis, de tendências humilhantes (pra não haver autoinvisibilidade), e de vídeos que só querem nos fazer rir, infinitamente, nesse vício de dopamina que não nos leva a lugar algum… ou talvez leve! Mas eu quero fugir de lá. Prefiro, por alguns minutos, estar diante desse layout em branco e preto e, num dialogismo que pode chegar para além dos meus eus, discutir meus pensamentos com os resultados das leituras que faço diariamente, dos insights que tenho quando vinculo a ciência ao cotidiano, e descarregar meu (in)consciente em formato de palavras, como bem nos ensinou Freud (1996). Pretendo rejeitar qualquer sugestão estética para essa página em branco. Pretendo fugir de tendências algorítmicas (embora vá discuti-las bastante). Pretendo apenas escrever pra mim, pensando em vocês.
Algumas Referências
BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. Organização, tradução, posfácio e notas de Paulo Bezerra. São Paulo: Editora 34, 2016.
FREUD, Sigmund. Os chistes e sua relação com o inconsciente. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
PESSAN, Everton. A vitrola. In: RAMALHO, Christina (org.). Atando as pontas: crônicas. 1. ed. Natal/RN: Lucgraf, 2019. p. 28-30. eBook. Disponível em: https://www.ramalhochris.com/_files/ugd/e6676e_7582eebbcb0a4cdb909daf75d185e6e0.pdf. Acesso em: 11 mai. 2026.
SANTOS, Everton Pereira. Oficina de letramento. In: SANTOS, Roseane Santana (org.). Programa Sergipe na Idade Certa: uma trajetória de protagonismo. Aracaju: Editora SEDUC, 2021. p. 59-85. Disponível em: https://siae.seduc.se.gov.br/siae.servicefile/api/File/Downloads/37665474-4558-4282-b499-4d6de104acb6. Acesso em: 11 mai. 2026.
SANTOS, Everton Pereira. Sergipe na idade certa. In: SÍVERES, Luiz; RIBEIRO, Marli Dias; ALVES, Lucicleide Araújo de Sousa; NEVES JÚNIOR, Idalberto José das (org.). Nas trilhas com o lobo-guará: construindo saberes e semeando sonhos na perspectiva da distorção idade-série. Brasília, DF: Universidade Católica de Brasília, 2023. p. 111-121. Disponível em: https://pedagogiasocial.net/wp-content/uploads/2023/11/diagramacao-lobo-guara_final-b.pdf. Acesso em: 11 mai. 2026.
SANTOS, Everton Pereira (org.); SANTOS, Allessandra Elisabeth dos; SILVA, Laila Gardênia Viana; GASPAR, Lívia Maria do Amorim Costa; SOUZA, Maria Aparecida; COSTA, Rafaela Virgínia Correia da Silva. Educar com inteligência artificial: boas práticas e tendências para o uso responsável da inteligência artificial em sala de aula. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação, 2025. Disponível em: https://siae.seduc.se.gov.br/siae.servicefile/api/File/Downloads/c4f6114e-47bd-4755-99d5-c56fb6b83347. Acesso em: 11 mai. 2026.
SERGIPE. Lei nº 9.622, de 17 de janeiro de 2025. Institui o Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos na Rede Pública Estadual de Ensino, denominado Programa “Alfabetiza Sergipe”, e dá providências correlatas. Diário Oficial do Estado de Sergipe, Aracaju, SE, 17 jan. 2025. Disponível em: https://legislacao.se.gov.br/. Acesso em: 11 mai. 2026.
Não precisa…
…mas quem quiser usar esse texto como referência: PESSAN, Everton. Por que um blog?. Notas de Pesquisa, 11 maio 2026. Disponível em: https://notasdepesquisa.com/2026/05/11/por-que-um-blog/. Acesso em: xx mês. Ano.
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